Como funciona o processo avaliativo na Escola da Apae-BH

Este texto é dedicado a Darci Barbosa, que muito me inspirou na elaboração das minhas propostas pedagógicas para a Escola Oficina Sofia Antipoff.

Na Escola Oficina Sofia Antipoff o processo avaliativo respeita as particularidades do aluno, seus déficits e limitações, mas com perspectivas na aquisição e aperfeiçoamento de habilidades inerentes ao desenvolvimento das dimensões metacognitivas (RELVAS, 2008).  Além disso, a mediação do professor nesse momento, referente à adaptação curricular adequada, terá como objetivo a aprendizagem significativa para o aluno com deficiência (AUSUBEL apud LACOMY, 2008).

Diante dessas premissas, a avaliação pretende priorizar o desenvolvimento integral do aluno, no que tange a considerar seu contexto sóciohistórico, ofertando possibilidades para que o aluno com necessidades educacionais especiais exerça plenamente sua cidadania.  As atividades desenvolvidas para os alunos com deficiência intelectual em sala de aula podem ser adaptadas, desde que o currículo tenha sido adequado, conforme orientam os Parâmetros Curriculares Nacionais.

A avaliação deve ser feita de acordo com as potencialidades e os conhecimentos adquiridos pelo aluno. Mais do que conhecer suas competências, é necessário que o professor saiba como ele deve ser avaliado em todas as áreas de desenvolvimento, sejam elas cognitiva, afetiva ou motora.  A grande questão está no bom planejamento das atividades pedagógicas, garantindo uma linguagem assertiva na comunicação, vinculada a suas experiências de vida, à escolha de atividades utilizando exemplos concretos e práticos que ajudem o aluno a estabelecer relações e elaborar suas conclusões e aprendizagens do processo educativo.

Dessa forma, é possível descobrir quais são suas habilidades e dificuldades e definir se os instrumentos usados estão de acordo com as respostas que o aluno pode dar. É na forma como este aluno percorre estas experiências que poderemos observar seus avanços e dificuldades frente ao conteúdo escolar proposto. É muito importante considerar as aquisições do aluno e o quanto ele conseguiu avançar nas atividades. Medir somente o resultado final não nos traz muita informação sobre este aluno.

O importante é que esses progressos pedagógicos sirvam de instrumento para que o professor verifique o que e como o aluno aprendeu e planeje estratégias diferenciadas para que ele não pare de avançar. Essas observações também servirão para o planejamento dos objetivos e desafios pedagógicos seguintes. A avaliação assim compreendida deverá ter uma estreita relação com o processo de ensino-aprendizagem, de forma contínua.

Para tanto, o educador necessita observar as estratégias pedagógicas utilizadas por ele na avaliação, verificando os avanços e recuos, com o propósito de elaborar hipóteses consistentes, como também de aprimorar sua ação em sala de aula para que alunos com deficiência construam e socializem o conhecimento de modo significativo.

É de extrema importância oferecer aos nossos alunos uma convivência salutar para construírem juntos o conhecimento, visto que o processo avaliativo deverá ocorrer a todo momento de ensino-aprendizagem. Neste instante observa-se que as trocas sociais são imprescindíveis para o desenvolvimento das potencialidades das dimensões cognitivas, afetivas e sociais dos alunos.

Em suma, a avaliação para alunos com deficiência deve ser encarada como um momento privilegiado que desperte no educador interesse em inovar os métodos de realizar sua prática pedagógica; isto é, compreender as singularidades dos educandos, considerando as habilidades existentes que poderão ser aperfeiçoadas, bem como as que serão desenvolvidas para estimular e construir bases conceituais significativas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEYER, Hugo Otto. Avaliação e inclusão na escola: de alunos com necessidades educacionais especiais. Porto Alegre: Mediação, 2005.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais – Adaptações Curriculares: estratégias para educação de alunos com necessidades educacionais especiais. Brasília: MEC/SEESP,1999.

LACOMY, Ana Maria. Teorias cognitivas da aprendizagem. 2. ed. e rev. Curitiba: Ibpex, 2008.

RELVAS, Marta Pires. Fundamentos biológicos da educação: despertando inteligências e afetividades no processo de aprendizagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2008. 

 

Lucianna Gontijo  – Diretora da Escola Ofina Sofia Antipoff
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