Contribuição da Intersetorialidade nos Grupos Operativos de Primeiro Emprego do Serviço de Trabalho Emprego e Renda, da APAE-BH

Segundo a AAIDD (Associação Americana de Deficiência Intelectual e do Desenvolvimento) a deficiência intelectual é caracterizada por limitações significativas no funcionamento do intelecto e no comportamento adaptativo, se expressa nas habilidades práticas, sociais e conceituais, e surge antes dos 18 anos de idade.

O emprego apoiado é uma metodologia que visa à inclusão e permanência da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, respeitando e reconhecendo sua escolha, interesse, potencialidade e necessidade de apoio. O usuário incluído no Emprego Apoiado deve ter à sua disposição, sempre que precisar, os apoios necessários para conseguir se manter e se desenvolver no trabalho.

Segundo DE LIMA (2013, p.42-68) e BEZERRA (2017, p.114), o trabalho é essencial na atividade humana por satisfazer necessidades econômicas, psicológicas e sociais, de forma a garantir a sobrevivência e colocar o indivíduo em contato com varias pessoas, possibilitando a criação de laços sociais e afetivos.

Ainda segundo BEZERRA, esta metodologia faz uma inversão do paradigma “treinar para colocar” para “colocar para treinar”, ou seja, preparar o sujeito dentro da empresa com a presença de um mediador denominado “preparador laboral”.

Pensando desta forma, a APAE-BH implantou o serviço Trabalho Emprego e Renda (TER) com a finalidade de proporcionar às pessoas com deficiência intelectual e múltipla conhecimentos básicos sobre o mundo do trabalho, abordando as habilidades e atitudes laborais e gerando oportunidades para sua inserção no mercado de trabalho. Na APAE-BH, esses usuários são direcionados aos grupos operativos de primeiro emprego (padaria, sorveteria, atendimento ao público e informática) sempre levando em conta o seu perfil e interesse, adaptando suas atividades, potencialidades e habilidades às suas escolhas.

As ações intersetoriais permitem que diferentes profissionais, como psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional compartilhem seus conhecimentos entre si e, também, com os instrutores das oficinas para que os resultados sejam mais efetivos, incluindo a promoção da saúde e bem-estar social, a inserção assertiva e a permanência da pessoa com deficiência intelectual e múltipla no mercado de trabalho.

Os profissionais que atuam neste setor se orientam dentro da linha cognitivo-comportamental com reestruturação cognitiva, criando alternativas de comunicação mais efetiva, para que possam expressar suas necessidades e estabelecer interações sociais no ambiente de trabalho. Essas intervenções acontecem durante as atividades dos Grupos Operativos de Primeiro Emprego, compreendendo e avaliando as habilidades e identificando as potencialidades físicas, sensoriais e cognitivas dos usuários, a fim de favorecer sua autonomia na execução das tarefas, com as adequações e adaptações necessárias.

Para que todas essas intervenções aconteçam de forma satisfatória, os instrutores dos Grupos Operativos de Primeiro Emprego exercem um papel fundamental nas trocas de experiências e informações sobre o direcionamento e execução das tarefas realizadas pelos usuários. Semanalmente, são realizadas reuniões com toda equipe do serviço com a finalidade de discutir, identificar facilitadores e dificultadores, elaborar estratégias adequadas e novos projetos para tornar o serviço cada vez mais eficaz..

Dessa forma, a intersetorialidade integra saberes e experiências, estabelecendo um conjunto de relações e constituindo uma rede centrada na identidade do projeto, de modo a garantir o bem estar e a inclusão da pessoa com deficiência intelectual e múltipla no mercado de trabalho.

Alessandra Jaqueline de Paula – Psicóloga
Daniela Benicio de Oliveira – Terapeuta Ocupacional
Maria Cândida Magalhães Caetano – Fonoaudióloga

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BEZERRA, Sergio Sampaio. O sentir do trabalho para pessoa com deficiência intelectual. Belo Horizonte: Fino Traço, 2017.
FIORAVANTE, Darci ET AL. A metodologia de emprego apoiado para pessoa com deficiência intelectual. Pará de Minas: Gráfica Ideal, 2016
DÉO, Adriana Fortes; PEREIRA, Jeanete. A triangulação entre a Deficiência intelectual, Funcionalidade Humana e Apoios. Disponível: <http://www.revistafaag.com.br/revistas_antiga/upload/4_87-266-1-PB.pdf>. Acesso em: 20 de agosto 2018.
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DO EMPREGO APOIADO (ANEA).Emprego Apoiado. Disponível: <http://www.aneabrasil.org.br/emprego-apoiado>.  Acesso em: 20 de agosto de 2018.

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

©2018 Todo direito reservado - APAE-BH 

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?