Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

É indiscutível a importância das contratações de profissionais com deficiência para a economia do Brasil. Além da geração de emprego, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui para trazer dignidade a essas pessoas, além de gerar muitos benefícios para as empresas.

Por isso, separamos 10 informações importantes sobre esse processo inclusivo. Confiram!

1 Quase 24% da população brasileira é composta por pessoas que possuem algum tipo de deficiência. De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 45 milhões de Pessoas com Deficiência (PCDs) e segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais 2015, 403,2 mil pessoas com deficiência trabalham formalmente.

2 No Brasil, o artigo 93 da Lei de Benefícios Previdenciários (Lei nº 8.213/91), que foi mantido pelo  Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/15), estabelece a obrigatoriedade de que empresas com cem ou mais empregados preencham uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência. A porcentagem varia de acordo com a quantidade geral de funcionários, com o mínimo de 2% e o máximo de 5% (para organizações a partir de mil colaboradores). Cabe ressaltar que o aprendiz com deficiência não é considerado para o preenchimento da cota. Além disso, o Estatuto prevê em seu artigo 34 algumas obrigações para as empresas, como a garantia de um ambiente de trabalho acessível e inclusivo; a igualdade de oportunidades; condições justas e favoráveis de trabalho; além da garantia de igualdade de remuneração para o trabalho de igual valor.

3 Considera-se crime, punível com reclusão de dois a cinco anos e multa, “negar ou obstar emprego, trabalho ou promoção à pessoa em razão de sua deficiência”. Contudo, tal obrigação não proíbe as empresas de negar emprego à pessoa com deficiência. O tipo penal se verificará apenas quando a recursa se der em razão da deficiência, sendo possível a recusa, por exemplo, por falta de qualificação técnica.

4 A inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho traz inúmeros benefícios a esse grupo de pessoas: possibilita a interação com outras pessoas; gera o sentimento de cidadão produtivo e de pertencimento a um grupo social e impacta positivamente na sua autoestima.

 A inclusão de profissionais com deficiência no ambiente de trabalho cria oportunidades também para as empresas gerarem mais negócios. Uma pessoa que está acostumada a enfrentar desafios diários por falta de acessibilidade ou sensibilização da população em geral, se adapta melhor ao mundo do trabalho. Além disso, contribui para humanizar mais a empresa e enriquecer o ambiente corporativo com visões e experiências diversificadas.

6 Ao incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, configura-se um novo grupo de consumidores até então excluído da economia. Com a geração de renda, esse grupo passa a consumir avidamente, já que possui muitas carências, desde elementos essenciais, como o acesso a questões de saúde, até a concretização de desejos não tão de primeira ordem, como a compra de tablets smartphones, por exemplo. Com a renda, as pessoas com deficiência passam a circular mais e isto enseja maior convivência com pessoas sem deficiência, o que desperta a atenção para oportunidades de se criar mais produtos, serviços e ambientes que atendam às necessidades específicas dessa parcela da população.

7 Em relação à qualificação das pessoas com deficiência, podemos afirmar que segue basicamente o mesmo padrão da população brasileira sem deficiência. É um falacioso generalizar a falta de qualificação das pessoas com deficiência. Por questões de exclusão histórica, a maioria das pessoas com deficiência é pouco qualificada, mas, essa baixa qualificação também incide na população em geral. Mas, isto não significa que não existam pessoas com deficiência qualificadas, algumas, chegam a ter até o mestrado e doutorado.

8 A maior barreira para a inclusão de profissionais com deficiência ainda é atitudinal. Ou seja, as relações interpessoais ainda estão muito calcadas em estereótipos e preconceitos. Além disso, as vagas que são oferecidas às pessoas com deficiência ainda são muito operacionais e pouco atrativas. Os líderes e gestores das empresas ainda não consideram incluir profissionais com deficiência em cargos mais estratégicos, pois tendem a achar que estes profissionais são menos produtivos ou geram mais custos com acessibilidade, o que não é verdade.. Enquanto não transformarmos a mentalidade antiga de que as pessoas com deficiência são menos qualificadas, menos produtivas e que exigem muitos investimentos, não daremos um salto de qualidade no processo de inclusão.

9 Os treinamentos devem ser constantes para preparar principalmente os gestores que são as pessoas responsáveis por aprovar os candidatos. O departamento de RH pode até estar sensibilizado e aberto para a contratação de um funcionário com deficiência, mas se o gestor, que é o “dono” da vaga, não estiver informado e pronto para gerenciar a diversidade, nada será feito e o candidato com deficiência continuará preterido. O mesmo raciocínio aplica-se se a alta liderança não aprovar vagas mais estratégicas para os profissionais com deficiência: o RH fica atado apenas às vagas operacionais, que são menos atrativas e só atraem pessoas menos qualificadas, reforçando a percepção de que pessoas com deficiência não possuem perfil necessário para posições melhores.

10 A maior oferta de vagas no mercado de trabalho para as pessoas com deficiência os incentiva a buscarem uma formação profissional adequada, o que favorece a sociabilidade e a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas. Este tipo de inclusão demonstra, ainda, a forma como as empresas podem exercer uma função social importante.


Por Talita Cazassus Dall’Agnol

Fonte: http://bit.ly/2yNdDvg

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