O Envelhecimento da Pessoa com Deficiência Intelectual

O conceito de envelhecimento é variável e depende do enfoque que lhe é dado. ENVELHECER é tornar-se velho, VELHICE é a condição ou estado de velho. Todos os termos usados para determinar o fator envelhecimento, envelhecer, velho, velhice, podem estar relacionados à passagem de tempo e não necessariamente às pessoas. O envelhecimento humano é um processo associado a diversas alterações biológicas, psíquicas e sociais. É o processo de mudança, da passagem de uma fase para outra fase da vida.

A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL é caracterizada pelo indivíduo que possui um nível cognitivo e comportamental abaixo do esperado para sua idade. Os indivíduos com deficiência intelectual apresentam limitações nas suas habilidades cognitivas e, também, têm dificuldades de compreender idéias abstratas, resolver problemas, compreender e obedecer regras, estabelecer relações sociais e realizar atividades do cotidiano, assim como apresentam dificuldades na comunicação. As causas que levam à deficiência intelectual são variadas, desde fatores genéticos à má formação fetal ou complicações gestacionais. As limitações e incapacidades exigem cuidados por tempo indeterminado.

Pensar no processo de envelhecimento das pessoas com deficiência é algo recente na nossa sociedade, pois até a metade do século passado elas não ultrapassavam a fase adulta. Esse progresso é devido ao desenvolvimento da medicina e do acesso às informações, principalmente, ao aumento da expectativa de vida, redução da mortalidade infantil e avanços nas áreas das tecnologias e de tratamentos medicamentosos.

Contudo, por estarem alcançando a velhice, não quer dizer que as pessoas com deficiência tenham a qualidade de vida desejada. Muitas delas ainda são tratadas como crianças, sendo infantilizadas pelos familiares/cuidadores e até pela própria sociedade que as mantém na condição de total dependência física e emocional.

Neste sentido, é natural que muitas pessoas com deficiência intelectual estejam sob os cuidados de familiares que também estão passando por essa fase da vida: o envelhecimento. Isso nos leva a refletir sobre o fato de que esses cuidadores também estão limitados pela condição de saúde e têm menos disposição, paciência, tolerância e todas as angústias que a finitude traz.

Os profissionais de saúde e as instituições especializadas podem oferecer serviços técnicos e propor intervenções que tornem o processo de envelhecimento mais prazeroso.

A APAE de Belo Horizonte conta com o serviço “Centro Dia – Para e Pelo Lazer” que desenvolve atividades visando à promoção da autonomia, inclusão social e melhor qualidade de vida dos idosos com deficiência intelectual. Neste serviço, a intersetorialidade funciona com a troca de saberes de uma equipe multidisciplinar composta por Fonoaudióloga, Fisioterapeuta, Psicóloga, Terapeuta Ocupacional, educadores sociais e monitores que atuam no Centro Dia garante a qualidade do atendimento.

Neste espaço, as várias ambiências propiciam as vivências necessárias à participação ativa dos usuários na sociedade, pois são desenvolvidas suas habilidades funcionais, sempre de acordo com suas necessidades e capacidades. A equipe de profissionais trabalha de forma integrada, pensando no indivíduo em sua totalidade.

A equipe multidisciplinar se integra ao serviço, participando de reuniões com os educadores para discussão de casos, auxiliando no planejamento das atividades, observando a prática e monitorando as intervenções acordadas.

As famílias participam do processo e recebem apoio e orientações para o desenvolvimento das habilidades necessárias aos ambientes externos, bem como para dar continuidade ao trabalho desenvolvido na instituição.

Dessa forma, a pessoa com deficiência intelectual em processo de envelhecimento necessita das mesmas oportunidades e investimentos destinados aos mais jovens. A atenção, no entanto, deve estar voltada para a manutenção das habilidades adquiridas e para as atividades que estimulem a autonomia e desenvolvam as habilidades sociais mais adequadas. Levando em consideração as limitações do usuário e planejando as intervenções com foco no indivíduo, enquanto parte da sociedade.

 

Colaboradores:

Alessandra Paula Duarte – Fisioterapeuta

Débora Cristina Izidorio – Psicóloga

Estefânia Corrêa – Fonoaudióloga

Referências:

GIRARDI, Mirtha; PORTELLA, Marilene Rodrigues; COLUSSI, Eliane Lucia. O envelhecimento em deficientes intelectuais. Passo Fundo: RBCEH, 2012. 79-89 p.

Moraes, Edgar Nunes. Fundamentos do cuidado ao idoso frágil. Edgar Nunes Moraes e Raquel Souza Azevedo – Belo Horizonte(BR): Folium,2016.412p.:il

Portella, M.R., Girardi, M., Colussi, E.L., Santos, M.I.P.de O., & Scortegagna, H.de M. (2015, abril-junho). A pessoa deficiente intelectual e o envelhecimento: da percepção do fenômeno à realidade cotidiana. Revista Kairós Gerontologia, 18(2), pp. 401-420. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP.

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