Você sabia que quem tem deficiência é capaz de muita coisa?

 Você sabia que…

Quem tem deficiência é capaz de muita coisa: ler, escrever, fazer contas, brincar, escutar, ver, tocar e até ser independente?

Para que algo possa acontecer, o deficiente (esteja ele em qualquer estágio) precisa de novos desafios para aprender a viver com cada vez mais autonomia.

De acordo com WERNECK (1997), a inclusão é necessária porque somos todos diferentes, todos nós temos limitações e potencialidades. O que é preciso definir, segundo a autora, é o tipo de escola/sociedade que buscamos: a da inserção ou a da inclusão. A inserção é a perspectiva na qual é dada à pessoa com deficiência a oportunidade de se adequar aos padrões sociais: o estudante que precisa de muitas aulas particulares para alcançar o conteúdo, o trabalhador que precisa aceitar trabalhos limitados. A inclusão tem outra perspectiva: a pessoa deficiente tem os mesmos direitos e deveres de uma pessoa dita “normal”, todos são cidadãos e participam da vida social.

A inclusão é incondicional e implica uma mudança de paradigma, implica abandonar estereótipos e entender que pessoas diferentes precisam de oportunidades diferentes para alcançar o objetivo maior: ser pessoa na íntegra.

O século XX vivenciou duas grandes guerras mundiais e o problema dos soldados mutilados inaugurou um novo movimento: o de reflexão sobre a condição humana do deficiente. Os direitos humanos entram em pauta e surgem os tratados como o de Salamanca e Jotiem. Pensamos, agora, não somente em como medicar e instrumentalizar para o trabalho, e a pessoa com alguma deficiência física ou intelectual é vista como cidadã, portadora de direitos, com vida intelectual, social e política. (WERNECK, 1997). O mesmo século que afirmou que “Deus não quer que o doente se reproduza” (HUDSON, 2011, apud LOPES 2013), inaugurou a idéia de cidadania para todos.

Não há lugar melhor que a Escola para desenvolver a autonomia de qualquer pessoa, com deficiência ou não. E não há melhor lugar para desenvolver mais intensamente o que foi aprendido na escola do que na Família. Afinal, sem a Escola o indivíduo se torna metade e sem a Família, também.

O trabalho com os alunos com deficiência tem, especialmente, o objetivo de resgatar a sua autoestima e sua identidade, partindo da valorização de suas potencialidades e respeitando suas limitações.

Como um aluno consegue desenvolver a fala, se a família não conversa com ele? Como um aluno consegue desenvolver a noção de pegar um objeto, se a família não o estimula a pegar?

O diagnóstico na Escola

Objetivo: refletir sobre a realidade do aluno como componente primordial no planejamento e na prática pedagógica.

Movimento: toda ação educativa só produzirá resultados relevantes se for desenvolvida com base no conhecimento da realidade do aluno.

O diagnóstico na Família

Objetivo: refletir sobre a realidade do filho como componente efetivo nas rotinas do dia a dia.

Movimento: toda ação educativa só produzirá bons resultados se for desenvolvida com base no conhecimento da realidade do filho (pense nas atividades de vida diária e de vida prática).

Então, diagnosticar é obter um conjunto de informações que orientam uma tomada de decisão.

Ensinar & Aprender

O aprendizado é entendido como um processo, ou seja, ele deve ser flexível e passível de alterações sempre que necessário.

O professor e o supervisor examinam constantemente as práticas em sala de aula e verificam a necessidade de modificações necessárias no planejamento, buscando reajustá-lo de forma a atender às necessidades educacionais dos alunos.

O caminho

Construir vínculos entre alunos, professores e famílias → Para nós, ensinar leva o aluno a construir seu conhecimento por si só.

Escola e Aluno interagem ativamente: criam, viabilizam possibilidades e meios de desenvolver esse saber, construindo juntos a aprendizagem, com todas as rotas: auditivas, visuais, táteis  ou no universo de informações.

Seu Filho, Nosso Aluno

A autoconfiança leva o seu filho, meu aluno, a acreditar em suas capacidades. Para que esta competência seja desenvolvida, é fundamental que a família acompanhe e valorize o seu sucesso e o encoraje nos momentos difíceis, para que os insucessos se transformem em oportunidades de crescimento.

Ações

  • Sempre que possível, deixar os alunos fazerem suas próprias escolhas;
  • Inspirar os alunos, introduzindo atividades com as quais eles se identifiquem;

Conscientização do Aluno

  • Promover desafios para encontrar sua fonte de possibilidades de desenvolvimento.

Considerações Finais

Cada indivíduo tem uma maneira própria de aprender, havendo ou não lesão cerebral. Por mais que o terapeuta, os pais ou o professor desejem que o aluno atinja o máximo de seu potencial, são suas condições gerais (fisiológicas, emocionais, neuroanatômicas e cognitivas) que levarão de forma conclusiva aos caminhos a serem trilhados na escola e, consequentemente, no campo estimulatório.

Vamos seguir juntos!

A missão da Escola Oficina Sofia Antipoff, da APAE-BH, consiste em contribuir para o desenvolvimento da educação e formação ética e cidadã da pessoa com deficiência intelectual ou múltipla, por meio de ações concretas de desenvolvimento de suas habilidades e competências, qualidade de vida e inclusão social.

Referências bibliográficas

FAZENDA, Ivani. Sobre a arte ou a estética do ato de pesquisar na educação. In: A pesquisa em educação e as transformações do conhecimento. Campinas: Papirus, 1995.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2015.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2010.

LOPES, Gustavo Casimiro. O preconceito contra o deficiente ao longo da história. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, ano 17, nº 176, janeiro de 2013.

ROSS, Paulo Ricardo. Exclusão das pessoas com história de deficiência: a era da não alteridade. IV Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul. Ced, Florianópolis: 2002.

SILVA, Otto Marques da. A epopeia ignorada: a pessoa deficiente na história do mundo de ontem e de hoje. CEDAS, São Paulo: 1987.

WARSCHAEUR, Cecília. Rodas em rede. Oportunidades formativas na escola e fora dela. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.

WERNECK, Cláudia. Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. WVA, Rio de Janeiro: 1997.

Lucianna Gontijo  – Diretora da Escola Oficina Sofia Antipoff

 

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