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Ensino e assistência a pessoas com deficiência sofrem mais dificuldades em meio à pandemia

Em Belo Horizonte, a Apae desenvolveu um aplicativo para orientar familiares nas atividades a serem realizadas em casa, já que a interrupção do ensino para muitos pode impactar no desenvolvimento geral. Com alunos considerados do grupo de risco, a instituição já trabalha pensando nas mudanças futuras de atendimento. Queda já registrada nas doações também pesa.

POR MICKAEL BARBIERI
(mickael.barbieri@cbn.com.br)

A pandemia de coronavírus atrapalhou os planos de Thaís Campos, aluna da Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais, a Apae de BH.

Ela acaba de completar 23 anos e não pôde fazer festa para encontrar amigos e familiares. Mesmo assim, arranjou um jeito: convidou todo mundo para um encontro online e a celebração foi por videoconferência. No convite para a webfesta, Thais fez uma exigência: todo mundo usando máscaras.

Ela também fez outro pedido de aniversário: que as autoridades, como prefeitos e governadores, vençam a briga contra o vírus para que ela possa retornar à Apae.

“Para pedir que o prefeito e governador tire todos os vírus. Eu quero ver meus colegas, professores e funcionários também. Estudar na Apae e fazer todas as atividades.”

Thais tem síndrome de Down e é uma das mais de mil pessoas atendidas pela Apae BH, na capital e Contagem, que estão em casa desde que começaram as medidas de isolamento social para tentar conter o avanço da Covid-19.

A mãe dela, Betânia Campos, conta que Thaís é bastante antenada e que tem se mantido ativa durante a quarentena.

“Ela gosta muito de escrever, segundo ela está escrevendo um livro, gosta muito de entrar nos aplicativos, ver filme, novela. Ela mesma através dos aplicativos faz as atividades extracurriculares, como a zumba, o jazz e o yoga. Ela entende muito bem o que está acontecendo, sobre a Covid-19, que nós temos que ter o isolamento social e essa parte de higienização. A gente espera para a Thaís um futuro promissor”

E é o futuro o que mais preocupa os dirigentes da Apae BH, que criou um aplicativo para orientar familiares nas atividades a serem realizadas remotamente com os alunos da instituição. Para muitos desses alunos, ficar parado até que os contornos da pandemia comecem a se delinear para um fim pode ser prejudicial e atrapalhar o progresso conquistado até agora.

No aplicativo da Apae, há atividades como jogo da memória, operações matemáticas, vídeos, atividades físicas e até indicação de filmes e livros para a família ler junto.

O trabalho da instituição foi amplamente afetado pela pandemia já que a maioria das pessoas atendidas é de grupo de risco para a doença, como comenta a Presidente da Apae de Belo Horizonte e Procuradora Jurídica Federação das Apaes do Estado de Minas Gerais, Maria Tereza Cunha

“Temos muitas pessoas com deficiência que possui outras doenças, e isso eleva o risco e a vulnerabilidade dessas pessoas à pandemia, e também temos muitas pessoas idosas. Eu posso afirmar que hoje nosso público maior seja inclusive aqueles para além da idade escolar, então realmente vai exigir da gente traquejo da reformulação dos nossos serviços sempre pensando nessa prevenção.”

Além dos alunos atendidos, a Apae BH ainda abriga 60 pessoas do projeto Casa Lar, a maioria também de idosos. São pessoas com deficiência advindas da extinta Febem décadas atrás e que vivem de forma permanente na instituição com despesas pagas pelo poder público.

A Apae também depende de doações para realizar os atendimentos 100% gratuitos. Desde a pandemia, já foram mais de 60 mil reais de queda nas doações.

Fonte: CBN

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