Professor, Aluno Autista & Sala de Aula: Desafio ou Entendimento?

O ato de ensinar é um processo que necessita de interação entre professor e aluno. É primordial conhecermos nossos alunos para desenvolvermos metodologias de aprendizagem que façam do  aluno  um ser investigador e participativo nas diversas formas de trabalho, tanto individual quanto em grupo. A Escola Oficina Sofia Antipoff tem em seu currículo ações de capacitação mensal de seus docentes, pois mesmo sendo profissionais especializados, a atualização das práticas pedagógicas num contexto de Educação Especial deve ser discutida, aprimorada e praticada.

No caso do aluno autista, percebe-se que ele precisa ser compreendido em sua essência e ser visto como pessoa capaz de desenvolver habilidades mediantes estratégias adequadas. Ter sensibilidade e acuidade para trabalhar com esse aluno e descobrir suas aptidões e capacidades é de fundamental importância na vida profissional do educador.

Conquistar a confiança de um aluno autista e construir laços com ele é um grande desafio, mas possível. Comece de forma sutil, mostre que você está ali para ajudá-lo em todos os desafios.

A Escola Oficina Sofia Antipoff desenvolve num sistema educacional que reconhece e atende as diferenças individuais, respeitando as necessidades de todos os alunos. O professor, assim como os demais membros da escola, compromissado com uma educação de boa qualidade, deve requalificar sua atuação como facilitador do processo ensino aprendizagem para identificar as necessidades educacionais e apoiar os alunos em suas dificuldades. Temos capacitações mensais para os docentes em nosso planejamento, pois acreditamos que, sendo profissionais capacitados, a atualização das práticas pedagógicas num contexto de Educação Especial deve ser discutida e praticada.

Um dos segredos para o sucesso nesse quesito é a comunicação utilizada, numa linguagem clara, objetiva e sem conotações. Pessoas com TEA não compreendem piadas e expressões de sentido figurado.

A utilização de materiais pedagógicos é uma ótima forma de proporcionar aos alunos com autismo o desenvolvimento de sua coordenação motora. No entanto, é importante que uma equipe de especialistas esteja sempre por dentro do cotidiano do aluno.

O oferecimento de um trabalho interdisciplinar no espaço escolar pode trazer muitos benefícios para os alunos especiais. Nossa escola está preparada para atender todos os alunos, independentemente de suas diferenças. Portanto, a preocupação é principalmente com a capacitação de seus docentes, pois estes é que irão mediar o processo educativo na sala de aula.

Por isso, a formação do profissional é fundamental para o atendimento dos alunos com necessidades especiais, com capacitação dos docentes trazendo estratégias pedagógicas para que estes alunos aprendam no seu ritmo e interajam na escola. Segundo Tony Booth e Mel Ainscow (2000 apud KUBASKI, 2013), a participação deste docente no processo de ensino-aprendizagem faz uma abordagem nos seguintes conceitos de inclusão:

  1. Presença: sem classes separadas ou outra segregação, se o aluno participa de práticas conjuntas ou separadas de seus colegas, como a frequência desse aluno na escola, o local que esse aluno está inserido, correspondência entre o ano escolar e a idade cronológica.
  2. Participação: qualidade de experiências educacionais, tais como o engajamento do aluno em atividades conjuntas.
  3. Aceitação: pelos professores, colegas e equipe da escola, ou seja, relação desse aluno com colegas, professores e demais funcionários da escola, melhores amigos, quem o auxilia, quem ele busca.
  4. Aprendizagem: ganhos acadêmicos, emocionais e sociais, por exemplo, como é realizada a avaliação desse aluno, principais recursos e dificuldades, etc. (BOOTH; AINSCOW, 2000 apud KUBASKI,2013, p. 24).

A inclusão está diretamente relacionada com o processo de ensino-aprendizagem. Não basta só incluir, a escola deve ofertar um ensino de qualidade e, para isso, o professor deve desenvolver metodologias diversificadas e flexíveis. Para que ele obtenha uma resposta positiva ao seu trabalho, essa desenvoltura deverá existir independente da heterogeneidade encontrada em sala de aula.

Perrenoud (2000) assinala que todo ato educativo é feito de desafios e que a partir deles e das exigências decorrentes deles é que os educadores vão se tornando melhores. No dia a dia da sala de aula, o(a) professor(a) é levado(a) a indagar-se: o que fazer para que todos os alunos progridam? O que fazer para que cada aluno se desenvolva e avance?

É preciso observar que apesar de ser um dos principais objetivos do trabalho com o aluno autista, a autonomia não é o único aspecto da educação do autista. É preciso que a escola não seja para o deficiente apenas um espaço de socializar, pois o currículo escolar tem potencial para além disso e o enfoque inclusivo objetiva alcançar além de socializar, (MANTOAN, 2006). O aluno autista tem o direito de participar de atividades que lhe permitam explorar ao máximo seu potencial cognitivo.

Aprender é um processo complexo que afeta o sujeito em sua totalidade. No caso do aluno com autismo, é necessário que ele possa adquirir confiança em si mesmo e em seu professor. Cada um tem uma maneira de aprender e, diante disso, os professores e profissionais que trabalham com Educação Especial têm a grande responsabilidade de observar e detectar suas peculiaridades, para que reflitam sobre qual metodologia é mais indicada para desenvolver o processo de aprendizagem do aluno com autismo. Ressalte-se que esse aluno precisa de um ambiente seguro e estimulante, onde erros sejam permitidos e, ao assumir riscos, sejam incentivados.

Assim sendo, a Escola Especial Oficina Sofia Antipoff possui uma maneira de olhar a inclusão e mudar sua trajetória quando necessário, pois o trabalho aqui desenvolvido exige mobilização e esforços constantes, além de muito empenho e dedicação do educador e gestão pedagógica, levando em conta que a efetivação de uma prática SIGNIFICATIVA considere a subjetividade dos sujeitos, e que a mudança de conceitos não acontece do “dia para a noite”.

 

Continuamos pensando na frase de Paulo Freire, que diz: “Se aprende com as diferenças e não com as igualdades”.

 

Lucianna Gontijo

Diretora Pedagógica da Escola Oficina Sofia Antipoff

 

REFERÊNCIAS:

BAPTISTA, C. R. A inclusão e seus sentidos: entre edifícios e tendas. In: BPTISTA, C. R. (org). Inclusão e escolarização: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Mediação, 2006, p. 93).

BEYER, H. O. A educação inclusiva: resinificando conceitos e práticas da educação especial: Revista inclusão, v. 2, 8-12. 2007.

CORREIA, L. de M. (1999), apud MORGADO, José Carlos. Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes Regulares. Porto. 2008.

GIARDINETTO, A. R. S. B. Comparando a interação social das crianças autistas: as contribuições do programa TEACCH e do currículo funcional natural. Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, 2005.

KANNER, L. apud. KELMAM, C. A. [et al]. ALBUQUERQUE, D. e BARBATO, S. – Organizadoras. Desenvolvimento Humano, educação e inclusão escolar. Brasília, Editora UNB, 2010.

KLIN, A. Autismo e Síndrome de Asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de Psiquiatria. V.28 p. 3-11, 2006.

LAKATOS, E. M. e MARCONI, M. de A. Fundamentos de Metodologia Cientifica. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MENEZES, A. R. S. Inclusão escolar de alunos com autismo: quem ensina e quem aprende? Dissertação de Mestrado, UERJ, 2012.

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