A deficiência física refere-se ao comprometimento do aparelho locomotor, que compreende o sistema osteoarticular, o sistema muscular e o sistema nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir quadros de limitações físicas de grau e gravidade variáveis, conforme o segmento corporal afetado e o tipo de lesão ocorrida. Os tipos mais comuns de deficiência física são: amputações, lesão cerebral, lesão medular, miopatias, doenças degenerativas do sistema nervoso central, lesões nervosas periféricas, politraumatismos com sequelas neurológicas e ostomizados.

Pessoas com deficiência intelectual costumam apresentar dificuldades para resolver problemas, compreender idéias abstratas (como as metáforas, a noção de tempo e os valores monetários), estabelecer relações sociais, compreender e obedecer a regras e realizar atividades cotidianas, como ações de autocuidado tal condição de saúde origina antes dos 18 anos de idade.

Já o transtorno do espectro autista (TEA), por exemplo, é descrito como uma forma de desordem neurológica de causa desconhecida, caracterizada pela deterioração e demora na interação social e na aquisição da linguagem, bem como, déficit de habilidades com padrões repetitivos de comportamento e sintomatologia iniciada antes dos 3 anos de idade.

Tais deficiências têm suas implicações nutricionais, uma vez que o estado nutricional está relacionado à capacidade de se alimentar, ao funcionamento do trato gastrointestinal, à capacidade de digestão/absorção, à interação medicamento-nutriente, à atividade física ou à mobilidade/funcionalidade e aos comportamentos biopsicossociais. E quando existe alguma desordem nesses fatores, surgem as alterações nutricionais e de saúde, como anorexia, compulsão alimentar, doenças crônicas, deficiências nutricionais, obesidade, etc.

De acordo com o Programa Mundial para Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidades – ONU, Reabilitação “é um processo de duração limitada e com objetivo definido, com vista a permitir que uma pessoa com deficiência alcance o melhor nível físico, mental e/ou social possível, proporcionando-lhe meios de modificar a sua própria vida. É um processo singular, que visa desenvolver as potencialidades do usuário e conduzi-lo a uma vida com qualidade.

Dessa forma, a maior finalidade do acompanhamento com o profissional nutricionista é minimizar a interferência do estado nutricional na doença instalada e na própria evolução do processo de reabilitação. Ademais, a nutrição exerce papel fundamental na promoção da saúde dos indivíduos e na redução dos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças. O nutricionista é o profissional habilitado para adequar as necessidades alimentares e nutricionais à realidade dos indivíduos.

As atribuições do nutricionista no Centro Especializado em Reabilitação-CER IV de Contagem, administrado pela Apae-BH, consistem basicamente em: identificar o risco nutricional através da aplicação de instrumentos validados; realizar avaliação dietética, antropométrica, bioquímica, social/familiar; definir e reavaliar diagnósticos e condutas de nutrição; propor intervenção nutricional; aconselhar; indicar plano alimentar personalizado e incentivar alimentação e práticas saudáveis individuais ou coletivas ao longo da vida.

A presença de um profissional de Nutrição na Reabilitação Física é exigida pela Portaria SAS/MS 400, de 16 de novembro de 2009, a fim de assistir, de forma especializada, as pessoas ostomizadas, por ser uma referência na manutenção dos cuidados e da capacidade funcional dos usuários. Entretanto, este profissional se faz presente, também, nas demais modalidades de atendimento do CER IV, sempre que necessário, além de participar do Grupo de Cuidados Prolongados e do Projeto de Saúde, que visam à promoção da saúde dos usuários e de seus familiares.

Os atendimentos individuais são realizados de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h.

Karina Márcia Rachid

(Nutricionista do CER IV de Contagem, administrado pela Apae-BH)

 

Referências Bibliográficas

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  2. SIEGEL, B. In: The world of the autistic child: understandingand treating autistics pectrum disorder (OxifordUniversity Press, New York) p. 9-11, p.316-317 e 328, 1996.
  3. HORVATH, K. & PERMAN, J.A. Autismand gastrointestinal symptoms. Gastroenterol. Rep., v.4, p.251-258, 2002.
  4. Souza RM, Dias A, Scatena MCM. Reabilitação: uma análise do conceito. Nursing. 2001; 34(4):26-31.
  5. Boog MCF. Dificuldades encontradas por médicos e enfermeiros na abordagem de problemas alimentares. Rev 1999; 12(3):261-72.
  6. OLIVEIRA, TRPR & RADICCHI, ALA. Inserção do nutricionista na equipe de atendimento ao paciente em reabilitação física e funcional. Rev. Nutr., Campinas, set./out. 2005; 18 (5): 601-611.
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