Educação Socioemocional é o processo através do qual os alunos aprendem, dentro do currículo escolar, a refletir e efetivamente aplicar conhecimentos, atitudes e competências necessárias ao longo da vida escolar. Por intermédio das atividades propostas, busca-se educar os corações e inspirar mentes, materializando projetos que contribuam para as transformações destes alunos e, consequentemente, do mundo ao seu redor.

Em conformidade com os quatro pilares da educação preconizados pela UNESCO (aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser), a Escola Oficina Sofia Antipoff, da APAE-BH, baseada em evidências por meio da avaliação de desempenho de cada aluno), busca aumentar a capacidade dos alunos de integrar habilidades, atitudes e comportamentos para lidar de forma eficaz e ética com as tarefas e desafios diários. Desenvolver as habilidades Socioemocionais tornou-se parte de nosso currículo.

As habilidades socioemocionais são um conjunto de aptidões desenvolvidas a partir da Inteligência Emocional de cada uma das pessoas. Em resumo, elas apontam para dois tipos de comportamento: a sua relação consigo mesmo (intrapessoal) e, também, a sua relação com outras pessoas (interpessoal).

A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, e os estilos cognitivo-afetivos, de Eloísa Fagali, servirão de inspiração para se pensar na diversificação das linguagens de ensino com o objetivo de desenvolver o pensamento complexo e articular a construção do conhecimento com as habilidades socioemocionais em nossos alunos.

Assim como o processo de aprendizagem, é preciso que o ensino das habilidades socioemocionais seja implementado em etapas. Por isso, iniciamos pela adequação do currículo e, claro, pela formação dos docentes. Em seguida, revisamos as matrizes de avaliação e, por fim, fizemos uma adequação nos planejamentos pedagógicos e adaptamos e criamos materiais e práticas.

As principais competências que permeiam o aprendizado socioemocional são autoconsciência, autogerenciamento, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável. É em torno desses pontos que se constrói um aprendizado para o aluno que possa guiá-lo por toda a vida.

O que envolve cada uma delas:

  • Autoconsciência: Identificar emoções, ter percepção afiada, reconhecer pontos fortes, desenvolver autoconfiança e auto eficácia.
  • Consciência social: Saber olhar as coisas em perspectiva, desenvolver empatia, apreciar diversidade e respeitar os outros.
  • Autogerenciamento: Aprender a controlar impulsos, saber lidar com estresse, ter disciplina, automotivação, buscar objetivos, construir habilidades organizacionais.
  • Habilidades de relacionamento: Comunicação, engajamento social, construção de relações e saber trabalhar em grupo
  • Tomada de decisão responsável: Identificar problemas, analisar e avaliar situações, solucionar problemas, refletir, ter responsabilidade ética.

Estamos estruturando uma linha de trabalho que contemple essas cinco competências,  para que as chances de sucesso tornem-se muito maiores. Se uma escola inteira adotar essa linha de trabalho, os resultados vão aparecer em pouco tempo. Se for uma turma só, ainda assim fará diferença

“Como transformar a prática educativa” passa, necessariamente, pelo ato de olhar para o papel e a função do professor, Reuven Feuerstein (1921- ), psicólogo e professor israelense, propõe que o ser humano aprende de maneira mais eficiente quando há um mediador, ou seja, uma pessoa que, com suas intervenções, ajuda o aprendiz a interpretar os estímulos, atribuir sentido para as experiências, construir conhecimento e desenvolver suas funções cognitivas.

Sua “Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural” está ancorada no postulado que “todo ser humano é modificável”, ou seja, todos nós podemos desenvolver a inteligência e “aprender a aprender”.

Se alunos aprendem habilidades socioemocionais, eles vão ter consciência de quem são, quais são seus pontos fortes e como se desenvolver e trabalhar essas áreas. Se queremos alunos mais “engajados”, é o que temos de fazer.

Na Escola Oficina Sofia Antipoff, iniciamos o desenvolvimento das habilidades socioemocionais independentemente do tipo de deficiência do aluno. TODOS podem se desenvolver emocionalmente e socialmente dentro de suas limitações. Para que isto ocorra, os professores mudaram algumas de suas práticas, passaram a fazer descobertas importantes e sentiram seu trabalho mais valorizado ao reconhecerem o potencial de cada aluno. Com isso, os docentes perceberam que a Educação Especial possibilita o reconhecimento de que os alunos têm tempos e modos diferentes de aprender e passaram a valorizar os pequenos avanços escolares de cada um. Isto quer dizer que as práticas pedagógicas se pautam pelos pontos fortes e pelas necessidades de cada aluno, independentemente da sua deficiência.

Desenvolvemos estratégias e objetivos de aprendizagem flexíveis e tornamos o ensino cooperativo entre professores, trabalhando a interdisciplinaridade e o desenvolvimento de projetos com aplicação de atividades práticas.

Na coletânea de artigos intitulada Experiências Educacionais Inclusivas (ROTH, 2006), publicada pelo MEC, são consideradas como “boas práticas de ensino” aquelas que “não excluem nenhum aluno e que buscam dar respostas às necessidades educacionais especiais, valorizando as diversas formas de aprender, compreender o mundo e dar significado a ele” (p.9).

  • O que o aluno já sabe?
  • O que o aluno quer saber?
  • O que o aluno quer ser?

Com base nas questões acima, vamos pensar no conhecimento que o aluno já possui,  nas habilidades que ele tem e no que poderemos fazer para que ele tenha atitude para seguir seu desejo e adquirir o conhecimento necessário para aplicar as habilidades socioemocionais no seu dia a dia.

É importante ressaltarmos que não há uma receita para conquistar um desenvolvimento emocional completo e o consequente sucesso social. Esses dois itens são consequência de um trabalho conjunto entre Aluno, Família e Escola.

“Não podemos fazer tudo imediatamente, mas podemos fazer alguma coisa desde já.” – Calvin Coolidge

 Bibliografia:

  • DAVIS, M. & WALLBRIDGE, D. Limite e espaço: uma introdução à obra de D. W. Winnicott. Rio de Janeiro: Imago, 1982.
  •  FAGALI, Eloísa Q. (org.). Múltiplas faces do aprender: novos paradigmas da Pós modernidade. São Paulo: Ed. Unidas, 2001.
  •  FERNÀNDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.
  • GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre, Artes Médicas Sul, 2000.
  • GARCIA, Sandra. Um estudo do termo mediação na Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural de Feuerstein à luz da abordagem sócio histórica de Vygotsky. São Paulo: Universidade São Marcos. Programa de Pós-graduação em Psicologia. Dissertação de Mestrado, 2003.
  • GARCIA, Sandra & ABED, Anita. Contribuições da Metodologia Mind Lab na transformação dos protagonistas da escola do Século XXI. São Paulo: Mind Lab Brasil & INADE, 2014. Disponível em: www.mindlab.com.br
  • GOLEMAN, Daniel. O cérebro e a inteligência emocional: novas perspectivas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
  • KOSTELNIK, Marjore J. (org). Guia de aprendizagem e desenvolvimento social da criança. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
  • LA TAILLE, Yves de. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
  • LENT, Roberto (org). Neurociência da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
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