Uma abordagem sobre diabetes 

O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo no qual ocorrem várias modificações funcionais, bioquímicas e psicológicas no organismo, aumentando a incidência de doenças. Nesta fase da vida, alguns fatores de risco são evidenciados, devido hereditariedade, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, acarretando doenças crônicas como o Diabetes, que é caracterizado pela hiperglicemia (aumento da concentração de açúcar no sangue).

O diabetes acontece quando o pâncreas produz pouca insulina ou quando existem problemas para o funcionamento dela. Se isso não for tratado, a quantidade de glicose no sangue começa a aumentar, atingindo níveis acima do normal. É uma doença que atinge pessoas de diferentes faixas etárias em todo o mundo. Estima-se que somente no Brasil exista mais de 13 milhões de pessoas, o que equivale a aproximadamente 6,9% de toda a população.

É uma doença que acomete alguns moradores da Casa Lar e requer uma atenção especial, cuidado individualizado e contínuo, pois modifica os hábitos de vida do morador e consequentemente aumenta os riscos de várias complicações, tanto agudas quanto crônicas. As complicações têm uma repercussão na qualidade de vida, uma vez que suas consequências podem ser devastadoras, como são os casos das perdas de visão, amputações (devido ao pé diabético), insuficiência renal, entre outras. As pessoas que têm diabetes apresentam um risco de perder a visão 25 vezes maior do que as que não possuem a doença.

O problema é que o sistema imunológico de um diabético é menos eficaz do que o de uma pessoa sem a doença. Portanto, a menor lesão pode infeccionar e evoluir para uma situação mais grave. É comum a perda de parte da sensibilidade nos membros inferiores dos diabéticos, devido a uma lesão chamada neuropatia diabética. Esse problema afeta nervos do corpo, que entre outras funções levam informações sensitivas ao cérebro.

Quando um morador recebe o diagnóstico de diabetes, a atenção especial a pequenos detalhes cotidianos deve ser redobrada. Simples hábitos como escovar os dentes, podem fazer toda a diferença na hora de prevenir complicações relacionadas à doença, pois o diabetes é uma doença que afeta o corpo todo. Mesmo assim, é possível levar uma vida saudável e de qualidade dando atenção a alguns cuidados. Embora pareça muito simples, a recomendação de higiene bucal após cada refeição para diabéticos é fundamental. Isso porque eles estão mais sujeitos à periodontite, doença que ataca gengivas, dente e suportes dentários. Muitas vezes indolor, ela pode levar a infecções generalizadas. Realizar uma boa escovação, que inclua o uso de fio dental e ir ao dentista uma vez a cada seis meses, é essencial para prevenir desde cáries até complicações maiores.

A falta de cuidados com os pés também ocasiona problemas. É importante que o diabético tenha muita atenção ao cortar as unhas dos pés, mantendo-os aquecidos e protegidos sempre, além de escolher sapatos confortáveis. Os pés devem ser inspecionados diariamente à procura de pequenas feridas, bolhas, áreas avermelhadas, alterações nas unhas, proeminências ósseas e mudanças na forma dos pés. A inspeção deve necessariamente incluir a planta dos pés.

A enfermagem tem papel fundamental na assistência aos moradores, orientando as mães sociais e auxiliares das Casas Lares frente às medidas preventivas. No caso do cuidado clínico aos moradores já diagnosticados, deve haver um controle glicêmico rigoroso e prevenção das complicações crônicas. Estão inclusos as mudanças do estilo de vida e tratamento medicamentoso prescrito pelo médico da unidade de saúde. As intervenções no estilo de vida incluem orientação nutricional e orientação sobre atividade física. A atividade física faz parte do tratamento não farmacológico, aquele que vai além dos remédios. O exercício auxilia no ajuste do controle glicêmico e reduz a dose necessária de insulina e medicamentos orais, além de diminuir o percentual de gordura e aumentar a massa magra.

No caso do tratamento medicamentoso, a abordagem inclui a utilização de hipoglicemiantes orais e das insulinas. No caso dos moradores, é importante estar atento à presença de outras doenças crônicas e uso de vários medicamentos.

Apesar das dificuldades sobre a mudança nos hábitos pessoais, um atendimento individualizado e focado nas condições cognitivas e funcionais do morador pode facilitar este processo. Com os devidos cuidados, a pessoa com diabetes pode fazer tudo o que uma pessoa saudável é capaz de fazer. Desta forma a prevenção é o melhor caminho para o controle da doença.

 Viviane Duarte – Enfermeira do Serviço de Acolhimento / Casa Lar

Referências:

  • https://controlaradiabetes.pt/vida-saudavel/prevencao-da-diabetes
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de diabetes. 2015-2016 Rio de Janeiro: 2015.. Disponível em: http://www.diabetes.org.br/sbdonline/images/docs/DIRETRIZES-SBD-2015-2016.pdf
  • BRUNNER, Pratica de Enfermagem,7ªedição,vol:2, ano: 2003, editora :Guanabara Koogan.
  • Amaral, A., & Tavares, D. (2009). Cuidados com os pés: conhecimento entre pessoas com diabetes mellitus. Revista Eletrônica De Enfermagem11(4), 801-10.
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