Na última segunda-feira, (14/10), a fonoaudióloga Fernanda de Paula Soares ministrou palestra com o tema “Convivendo com a pessoa com deficiência auditiva” para cerca de 60 pessoas, profissionais de Apoio à Inclusão (Intérpretes e Instrutores de Libras) do município de Contagem e da Sociedade Cultural e Religiosa de Minas Gerais, no Centro Especializado em Reabilitação Antônio de Oliveira. Entre os presentes, a Sra. Ludmilla Soares, Supervisora de Projetos Especiais e Parcerias da Secretaria de Educação de Contagem (SEDUC).

A palestrante, Fernanda Soares, esclareceu sobre diversos aspectos da deficiência e deu muitas dicas e estratégias para melhorar a comunicação e o relacionamento entre o deficiente auditivo e seus familiares, amigos, vizinhos e a comunidade.

Fernanda afirmou que não precisamos ter algum tipo de deficiência para lidar bem com pessoas com qualquer tipo de deficiência. Ter informação e empatia são suficientes para o início dessa relação.

Estudos mostram que 20% das informações sensoriais chegam ao cérebro por meio da audição e isso nos ajuda a entender como a ausência desse sentido compromete o entendimento, a visão de mundo e a qualidade de vida dos deficientes auditivos.

É importante, por exemplo, saber que há diversos grupos de pessoas cuja deficiência auditiva têm a causa nas mais variadas fases da vida e situações: traumas, doença gestacional, causa genética, etc. Há, também, diferentes níveis de deficiência auditiva: leve, moderado, severa e profunda.

Há diferença entre a pessoa com deficiência auditiva e aquela considerada surda. O deficiente auditivo apresenta perda auditiva de diferentes graus e bom resultado com o uso de aparelho auditivo ou Implante Coclear. O surdo apresenta pouco ou nenhum resultado com o aparelho auditivo e, por isso, muitos optam por se comunicar exclusivamente por meio da LIBRAS.

Algumas posturas diante do deficiente auditivo são recomendáveis e podem trazer resultados positivos para o relacionamento com essas pessoas, tais como:

  • Conhecer a realidade e a história de vida do deficiente e como ele se enxerga na sociedade. Independentemente do tipo de comunicação que ele adota, LIBRAS ou oralização, devemos respeitar sua individualidade.
  • Saber que a perda auditiva é apenas a dificuldade ou incapacidade de ouvir e não implica diminuição da capacidade intelectual.
  • Evitar falar pelo deficiente auditivo. Ao contrário, seja paciente e incentive-o, estimule-o a se comunicar; isso leva ao desenvolvimento da autonomia.
  • Independentemente da forma como o deficiente auditivo se comunique com você (LIBRAS, comunicação escrita, uso de sinais e linguagem corporal ou leitura labial), procure se adequar a ela e mantenha o contato visual durante toda a conversa.
  • Informação e conhecimento + empatia = bom relacionamento. Conviver com deficientes auditivos é uma experiência enriquecedora. Todos devemos lutar por sua inclusão social e dar a eles a oportunidade de viver plenamente, sem barreiras.

Como foi dito, a deficiência auditiva pode ocorrer em qualquer fase da vida, por diversas causas e de várias formas, mas o diagnóstico e a estimulação precoce são sempre muito importantes.

O surdo geralmente se comunica por LIBRAS e pode ou não fazer leitura labial.

O surdo oralizado é aquele que opta por aprender a fala por meio de terapia fonoaudiológica, ou perdeu a audição depois de ter adquirido a fala.

O surdo bilíngue apresenta LIBRAS como primeira língua e é também oralizado.

Fernanda enfatizou a importância de as famílias das pessoas com deficiência auditiva atuarem junto à escola pelo bem-estar de seus familiares, inclusive promovendo reuniões com especialistas da área, que podem ajudar muito na organização das ações dos professores. Em se tratando de crianças surdas ou com deficiência auditiva a abordagem terapêutica é escolhida juntamente com a família.

A Sra. Ludmilla, preocupada com a educação dos surdos, explicitou a necessidade de se promover ações conjuntas de especialistas e a SEDUC, visando ao favorecimento da efetiva inclusão educacional dessas pessoas.

Com grande participação dos presentes, muitas dúvidas foram esclarecidas e a troca de experiências e de saberes foi extremamente enriquecedora, pois o conhecimento é capaz de mudar o olhar em relação ao outro.

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