Há mais de um ano, durante o encerramento do Encontro de Convivência de 2019 – e quando a pandemia ainda não aparecia nos pesadelos de ninguém – a equipe do Trabalho, Emprego e Renda – TER da APAE BH realizou uma atividade muito bonita, focada no “cuidar de quem cuida”.

Como já é tradição na APAE, em sua maioria essas pessoas que cuidam são mulheres. Mulheres que dedicam suas vidas aos seus filhos. Naquele momento, cada uma dessas mulheres teria que escrever uma carta endereçada a si mesma, para ser aberta um ano depois. As orientações dadas pela Alessandra, Psicóloga do TER, era a de que elas deveriam se chamar pelo nome e também por um apelido carinhoso, dizer como estavam se sentindo naquele momento e, ainda, e o que esperavam do ano de 2020.

Segundo Alessandra, o intuito do trabalho realizado foi trazer uma reflexão sobre desejos, expectativas, reservar um momento para si e poder, ao receber essa carta, reviver e repensar sobre como elas estão elaborando o momento vivenciado há um ano.

As cartinhas ficaram guardadas, o tempo foi passando e tanta coisa aconteceu neste meio tempo, nos surpreendendo a cada dia.

Até que no final do ano passado, a Alessandra começou a enviar essas cartas pelos Correios para cada uma das autoras. Imagine a surpresa e a emoção que cada uma delas sentiu ao ver, um ano depois, um desabafo escrito antes de um dos anos mais difíceis da vida de todos nós?

“Recebi a minha cartinha, que legal! Eu nem estava lembrando mais. Na cartinha eu falei que a frase que eu mais gosto é que ‘tudo passa’. É impressionante pensar em como essa frase está presente hoje em nossas vidas”, conta a Vânia, mãe da Dani.

Já a Adriana Caldeira, mãe da Fê, conta que recebeu a cartinha, mas, no momento, não teve coragem de abri-la. Ela pôs o envelope no meio das plantas da sala e lá ficou por mais de um mês. Até que dias atrás, ao receber a visita da amiga Sol (ambas, divas, na foto abaixo), juntas decidiram enfim abrir a carta e ler em voz alta o conteúdo escrito.

No texto, Adriana escreveu o quanto ela é guerreira, ressaltou muitos obstáculos pelos quais passou ao longo da vida, principalmente sendo mãe de uma pessoa com deficiência, e a importância de todos esses percalços para o seu crescimento pessoal. Porém mais do que falar daquele momento, Adriana sentiu vontade de também agradecer. “Agradeci a Deus por tudo o que conquistei, agradeci a diversas amigas que fiz na APAE, agradeci à APAE, que me ajudou a conquistar tantas coisas importantes”, relata.

Assim que terminaram a leitura, Sol perguntou a Adriana:
– O que você acha de tudo isso que você escreveu?
– Nossa, parece que a vida parou lá em 2019 e a gente foi viver outras coisas, outros sentimentos, que a gente realmente parou para pensar o que a gente é, o que a gente quer, qual a importância do que podemos oferecer ao outro e o que estamos aprendendo com tudo isso, respondeu Dri.

Adriana conta que, ainda em meio à pandemia, questionou o que tudo isso está querendo mostrar para o ser humano: “Será que é para dar mais valor às pessoas, a ser mais humano, será que é para a gente rebelar, chorar, acolher, o que que é?”, pergunta.

Mesmo sem querer, a carta de Adriana, escrita em 2019, traz a resposta exata para o que ela e tantos de nós vimos nos perguntando nesses 12 longos e angustiantes meses: “A maior lição é perceber que nós não estávamos enxergando as pessoas que estão mais próximas de nós. Meus pais, por exemplo: antes da pandemia a gente se falava uma vez por semana. Agora, nos falamos todos os dias. E acho que é isso o que ficará de bom de toda essa tragédia, valorizar o outro, ter mais empatia, ser generoso e simplesmente perguntar: ‘Como você está? Posso te ajudar?

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