Natália de Oliveira Moraes é mãe de Júlia de Oliveira Vieira, de 1 ano e 3 meses. De acordo com Natália, a filha tem microcefalia e paralisia cerebral, assim como várias calcificações e lesões no cérebro, o que compromete parte motora. Para se desenvolver e ter melhor qualidade de vida, Júlia precisa de acompanhamento multiprofissional com fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudióloga.

Júlia faz parte do Grupo Estimulação Global do Desenvolvimento, da Reabilitação Intelectual, no CER IV – Centro Especializado em Reabilitação Antônio de Oliveira, em Contagem. Este é um dos grupos disponibilizados aos usuários, onde são tratadas questões relacionadas à reabilitação.

De acordo com Jeyverson Mendes, psicólogo e Gerente da Reabilitação Intelectual do CER IV, a proposta do grupo é destinada a crianças desde o nascimento até os seis anos e 11 meses de idade; e salienta que são formados subgrupos que levam em consideração a faixa etária mais próxima e o impacto da deficiência sobre a funcionalidade do usuário.

Este grupo tem como objetivos promover de forma articulada e integrada a estimulação global, proporcionando amplitude e flexibilidade no processo do desenvolvimento nas áreas motoras, cognitiva e de linguagem; permitindo assim a conquista de maior funcionalidade, inclusão social e o máximo de independência em diferentes aspectos da vida. Além disso, as atividades deste grupo visam:

  • ao controle de cabeça e tronco, transferências, posturas funcionais;
  • aquisição de habilidades motoras;
  • uso funcional dos MMSS (alcance, pega e manipulação de objetos);
  • estimulação sensorial, da motricidade orofacial, do brincar funcional, da memória auditiva, de linguagem e alimentação;
  • desenvolvimento de habilidades simbólicas/conceitos básicos;
  • favorecimento da interação social;
  • orientações sobre posicionamento adequado;

Para realização deste trabalho, o grupo conta com três profissionais que dão todo o suporte necessário aos usuários: a fisioterapeuta Natália Pessoa, a Terapeuta Ocupacional Viviane Guimarães Carvalho e a fonoaudióloga Danielle de Oliveira Fialho. Natália explica que, primeiramente, o usuário passa por uma avaliação individual, feita por uma equipe multiprofissional. Em seguida os profissionais discutem a demanda de cada usuário, e só então ele é inserido no grupo, dependendo dos aspectos e dos objetivos que foram observados.

São inseridos usuários que apresentam idades e propósitos semelhantes. “Buscamos uma faixa etária próxima, que nos permita trabalhar as habilidades que envolvem os objetivos”, comenta a fisioterapeuta. Embora seja um atendimento em grupo, ela conta que é desenvolvido um Projeto Terapêutico Singular (PTS), pois cada criança apresenta uma demanda. Este PTS contém as estratégias e ações que serão adotadas na habilitação e reabilitação de cada usuário, considerando suas necessidades, fatores clínicos, emocionais, ambientais e sociais, bem como o impacto da deficiência sobre sua funcionalidade.

Natália trabalha com os usuários a aquisição de habilidades motoras que vão permitir maior funcionalidade. “Além disso, são trabalhados posicionamentos e posturas que permitem esses ganhos dentro de um contexto biopsicossocial” (referente a fatores biológicos, psicológicos e sociais), ela afirma.

A terapia ocupacional neste grupo tem como foco a funcionalidade dos membros superiores. É o que explica Viviane: “Buscamos sempre o alcance e a manipulação de objetos para promover um brincar funcional. Eu trabalho o interesse e incentivo a exploração adequada dos brinquedos, para estimular as questões sensoriais, cognitivas e funcionais.”

Já a fonoaudióloga Danielle atua na estimulação da linguagem infantil, que tenta acompanhar os marcos do desenvolvimento normal da linguagem e o desenvolvimento da fala. Ela comenta: “Procuramos melhorar os aspectos cognitivos da criança, como atenção, interesse pelo brincar, simbolismos e imitação”. Ela conta que com alguns usuários é trabalhada, também, a estimulação da alimentação. “Eu trabalho a estimulação dos órgãos fonoarticulatórios para melhorar a mobilidade, adequar a musculatura, perceber melhor estímulos gustativos, etc.” Danielle afirma que alguns usuários têm a sensibilidade aumentada, enquanto outros a têm reduzida, e que a estimulação é feita para adequar isso.

A fisioterapeuta Natália conta que os responsáveis pelos usuários que participam do grupo são orientados e informados para melhorar ainda mais o desenvolvimento. “Tentamos incluir a família e falamos da importância de sua integração na reabilitação.” Ao final do atendimento em grupo são passadas orientações aos pais a respeito do que a equipe espera e de como eles podem ajudar. “Frisamos muito a importância da continuidade no âmbito domiciliar do trabalho que é desenvolvido no CER IV”, afirma.

A fonoaudióloga Danielle também aborda essa questão: “Eu converso muito com os pais, que têm grande expectativa em relação ao trabalho. Falo que os resultados surgirão em longo prazo, mas observo melhor aceitação à medida que a criança vai sendo estimulada. Fazemos o trabalho no CER IV, mas é importante que os pais deem continuidade em casa.” Segundo ela, “só de escovar os dentes da criança e tocar certos pontos dentro da cavidade oral, já está estimulando.”

De acordo com a fisioterapeuta Natália, os pais são muito participativos, esforçados e a equipe sempre deixa o ambiente aberto para que eles também possam mostrar suas dificuldades e dúvidas. “Isso é muito importante. A participação ativa deles vai contribuir para uma reabilitação mais significativa”, afirma. A terapeuta ocupacional Viviane complementa: “os pais se mostram bastante interessados e muitos falam conosco que não tinham o acompanhamento que estão tendo aqui no CER IV”.

Segundo Natália, é um trabalho gratificante. “Sempre fico muito feliz ao ver que contribuímos para satisfazer as expectativas dos usuários e suas famílias. Para mim tem sido uma experiência incrível”. Ela afirma, ainda, que trabalhar em grupo com outras profissionais a tem ajudado muito, pois há muita troca de experiências e conhecimentos.

A importância desse trabalho também é comentada por Viviane, que afirma: “Cada um consegue pontuar e ajudar ao outro, compartilhando as experiências durante o atendimento. Essa integração é muito importante”.

Perceber que os usuários podem ter uma melhor qualidade de vida diante do trabalho desenvolvido deixa Danielle feliz. “É gratificante ver a melhora”, diz a fonoaudióloga, sorrindo.

O Gerente da Reabilitação Intelectual Jeyverson Mendes explica que à medida que as intervenções em grupo vão acontecendo, as profissionais que atuam no grupo passam a desenvolver ainda mais suas habilidades de trabalhar de forma transdisciplinar. “Elas passam a observar o que profissionais de áreas diferentes das suas fazem durante a intervenção e agregam isso ao seu atendimento individual. A profissional consegue perceber as diferenças que existem entre as especialidades e, de alguma forma, trazer benefícios para si e para o usuário que está em atendimento.” De acordo com Jeyverson, quando as profissionais estão trabalhando em conjunto e no mesmo ambiente, os objetivos e conduta terapêuticos são potencializados e caminham na mesma direção.

Segundo ele, além de os usuários terem a atenção especializada de cada profissional que compõe o grupo, ainda têm a possibilidade de troca com os outros atendidos. “Isso pode favorecer o desenvolvimento e as possibilidades de interação, o que contribui, também, para que o profissional tenha um olhar diferenciado, pois, apesar de os usuários estarem em grupo, cada um tem seu próprio ritmo de desenvolvimento”. E Jeyverson finaliza dizendo que “o grupo Estimulação Global do Desenvolvimento possibilita estimular e acompanhar o desenvolvimento dos usuários nas diferentes áreas (motora, cognitiva e linguagem) e contribui significativamente para novas vivências de mundo.”

Natália, mãe da usuária Júlia, conta que está gostando muito do atendimento prestado à filha: “As pessoas no CER IV são muito atenciosas e nos abraçaram com um carinho enorme. Vejo que esse carinho que estão transmitindo para a gente passa para a criança. Eu percebo que a minha filha só tem a ganhar.” Quanto ao progresso de Júlia, Natália comenta que a criança, que já está indo para o seu quarto atendimento no CER IV, está se desenvolvendo bem e que a equipe de profissionais passou a ela exercícios para serem feitos em casa. “Está dando tudo certo! Ela está tendo uma grande melhora”, comemora.

Crédito: Assessoria de Comunicação Apae-BH

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