Grupo Qualidade de Vida da Clínica Intervir: relato de experiênciaO Grupo Qualidade de Vida* da Clínica Intervir da Apae Belo Horizonte tem como objetivo proporcionar terapia centralizada na família e no bem-estar biopsicossocial do usuário. A equipe multidisciplinar é composta por fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional. Os encontros acontecem às quintas-feiras com duração de uma hora, nos períodos da manhã e da tarde. O público-alvo é composto por familiares e/ou cuidadores e pelos usuários com idade acima de 12 anos, com alterações neurológicas, que já tenham passado por um período de habilitação/reabilitação, apresentem disfagia orofaríngea e classificação do GMFCS IV e V.

Em 2019, os encontros foram registrados por meio de atas em livro próprio. O cronograma dos encontros foi elaborado pela equipe e aprovado pelos participantes do grupo, no segundo encontro do semestre de 2019. Para avaliar o impacto das intervenções, foram utilizados os protocolos: Medida Canadense de Desempenho Ocupacional (COPM) e Questionário de avaliação da sobrecarga do cuidador informal (QASCI). As avaliações foram realizadas com os usuários e seus cuidadores em abril e outubro de 2019.  Participaram das avaliações nove familiares e foram excluídos aqueles que não compareceram na data de reavaliação.

Protocolo COPM - março de 2019Participam do grupo oito usuários e seus familiares/cuidadores, sendo quatro usuários por turno. Durante o segundo semestre de 2019, um usuário foi admitido e dois usuários foram excluídos, um por motivo de óbito e outro por troca de intervenção terapêutica. Até outubro daquele ano, haviam ocorrido 13 encontros. As reavaliações foram feitas em abril e outubro de 2019, utilizando os protocolos COPM e QASCI versão reduzida. De acordo com os protocolos, observamos evoluções irrisórias esboçadas nos gráficos de sobrecarga do cuidador e da medida do desempenho ocupacional. No gráfico 1 (acima), foi possível verificar que o índice de sobrecarga melhorou durante a participação no grupo. No gráfico 2 (abaixo), observamos divergência entre os resultados do desempenho dos usuários e o grau de satisfação do familiar/cuidador. Devido à infrequência dos usuários, não foi possível reaplicar o protocolo COPM.

Protocolo OASCI - março a setembro de 2019O Grupo Qualidade de Vida tem suas intervenções direcionadas para o apoio e protagonismo das famílias e dos usuários, podendo ser um facilitador na troca de experiências e criação de rede de apoio. No entanto, encontramos algumas barreiras a serem superadas como: infrequência dos usuários, dificuldade de acesso a locais públicos adaptados às necessidades das pessoas com mobilidade reduzida para a realização de atividades externas, condições de saúde dos usuários, dificuldade de apoio de outros familiares e o desconhecimento acerca de políticas públicas voltadas para o público-alvo do grupo, por parte dos familiares e dos profissionais. Outro desafio é o rompimento do vínculo terapêutico com a instituição, uma vez que o grupo atua como única rede de apoio para os participantes.

 

Por: Andreza Vieira Lelis da Silva (Fonoaudiologia); Alessandra Paula Duarte (Fisioterapeuta Respiratória e Geriatria);  Cláudia Lauriana Carvalho Rezende (Terapeuta Ocupacional); Djair Morais de Faria (Psicólogo); Jacqueline Josiane Gonçalves Ferreira (Terapeuta Ocupacional) – Equipe da Clínica Intervir – Apae BH.

*De acordo com a Organização Mundial de Saúde (1995 p.1405 apud SEIDL e ZANNON 2004 p.583), a expressão ‘qualidade de vida’ é definida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.

Referências

1- MONTEIRO, Edilene Araújo; MAZIN, Suleimy Cristina; DANTAS, Rosana Aparecida Spadoti. Questionário de Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal: validação para o Brasil. Rev. Bras. Enferm.,  Brasília ,  v. 68, n. 3, p. 421-428,  Junho de2015.Disponível  em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672015000300421&lng=en&nrm=iso>. acesso em 16 de Outubro de  2019.  http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167.2015680307i.

2- SEIDL, Eliane Maria Fleury; ZANNON, Célia Maria Lana da Costa. Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e metodológicos. Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro ,  v. 20, n. 2, p. 580-588, Abril de  2004 .   Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2004000200027&lng=en&nrm=iso>. acesso em 16 de Outubro de  2019.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2004000200027.

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