Por: Brenda Caroline de Souza Paiva – Terapeuta Ocupacional da Apae de Belo Horizonte

A deficiência visual pode ser dividida em dois grupos: cegueira e baixa visão. Na cegueira há perda total da visão ou pouquíssima capacidade de enxergar, o que leva o indivíduo a necessitar do sistema Braille como meio de leitura e escrita. Já a baixa visão é caracterizada pelo comprometimento do funcionamento visual, mesmo após tratamento ou correção, sendo o individuo potencialmente capaz de usar sua visão para planejamento e/ou execução de uma tarefa, podendo ser necessário o uso de recursos ópticos e não ópticos.

A categorização da deficiência visual utilizada mundialmente está baseada na Classificação Estatística Internacional das Doenças e Problemas relacionados à saúde – Décima Revisão (também conhecida como Classificação Internacional das Doenças – CID 10), que considera como visão subnormal, ou baixa visão, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor que 0,3 (20/70) e maior ou igual a 0,05 (20/400), ou seu campo visual é menor que 20º e maior que 10º no melhor olho com a melhor correção óptica. Considera cegueira quando esses valores encontram-se abaixo de 0,05 (20/400) ou campo visual menor que 10º.

A visão possui um papel de grande importância no desenvolvimento infantil, pois grande parte das experiências vividas por uma criança tem participação direta da visão, pois fornece informações ambientais que nenhum outro órgão sensorial é capaz de proporcionar. Um indivíduo com deficiência visual pode apresentar consideráveis atrasos em seu desenvolvimento e graves limitações em seu desempenho ocupacional.

A deficiência visual tem como causas mais frequentes a retinopatia da prematuridade, a catarata congênita, glaucoma congênito, atrofia óptica, degenerações retinianas, alterações visuais corticais e doenças infecciosas como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e sífilis. Essa deficiência também pode ser adquirida em casos de diabetes, descolamento de retina, traumatismos oculares e degeneração macular relacionada à idade.

No Brasil, a deficiência visual é a de maior incidência. A prevalência global estimada da população com deficiência visual é de 285 milhões de pessoas, sendo 39 milhões cegas e 246 milhões com baixa visão. Com o aumento significativo da população com esse tipo de deficiência considera-se fundamental a realização de ações que favoreçam o processo de desenvolvimento e inclusão desse público.

Atualmente, dentre o público em atendimento no serviço de Habilitação/Reabilitação Visual do CER IV Contagem/ APAE-BH, a prevalência é de usuários entre 0 e 7 anos de idade, com deficiências múltiplas e baixa visão de origem cortical. Para crianças dentro dessa faixa etária é oferecido o serviço de estimulação visual, realizado pelo fisioterapeuta e pelo terapeuta ocupacional, com o objetivo de estimular o uso da visão remanescente de forma funcional, favorecendo a aquisição das funções visuais básicas para promover maior interesse, contato, interação e participação social, através do brincar.

Cada criança com deficiência visual possui diferentes demandas e pode alcançar níveis variados de desenvolvimento visual e de uso funcional da visão. Sendo assim, para um processo de habilitação visual eficaz é necessário atentar-se sempre à singularidade de cada criança, em seus diferentes níveis de desenvolvimento, bem como seu potencial.

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