O mês de junho é marcado pela campanha de Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa. Diante desse contexto, nos dias 05 e 13 deste mês,  a APAE-BH promoveu o ciclo de debates, com o tema “Envelhecimento – Que coisa é essa?”, uma conversa sobre a cultura do envelhecimento e seus preconceitos no Brasil. O intuito desse bate-papo foi o de, juntamente com as famílias dos nossos usuários e colaboradores, discutir a reconstrução da imagem do envelhecimento e promover iniciativas de mudança de comportamento frente à longevidade.

Nos dois dias do Ciclo de Debates estiveram presentes 78 pessoas, quando a palestrante Andreia Duarte, Consultora da AD Social Consultoria e Treinamentos, falou sobre diversidade, comunidades e longevidade. Andreia é assistente social, especialista em projetos sociais e mestre em administração e concentração em inovação.

Essa ação provocou uma reflexão sobre quais têm sido as nossas ações  visando à “poupança do envelhecimento”. Estranho não é mesmo? Mas para termos uma velhice com qualidade precisamos praticar um pouco os quatro capitais do envelhecimento: saúde, aprendizagem, finanças e socialização. Esses capitais são como uma poupança e muito apreendemos com eles.

O primeiro capital é a saúde, o que não significa apenas a ausência de doenças; mas exercitar a prática preventiva que irá combater as doenças, seja por meio de conversas descontraídas, caminhadas ou outras atividades físicas, ouvir músicas, ou seja, se reinventar e se redescobrir.

O segundo capital é a aprendizagem ao longo da vida, pois o momento em que deixamos de aprender simplesmente não existe, precisamos experimentar coisas novas e estar abertos para novos saberes e aprendizados.

O terceiro capital é o financeiro, que não quer dizer acumular riqueza, mas poupar um pouco do que se tem e fazer as escolhas certas para usufruirmos  melhor qualidade de vida e maior segurança na velhice.

O quarto e último capital é o social, para estabelecermos novos vínculos afetivos, sociais, de amizade, etc. Devemos nos preocupar em nos relacionar com os familiares, vizinhos, amigos, etc. Envelhecer  sozinho e de forma solitária é muito triste e, além disso esses laços  serão de grande importância no nosso no futuro.

Alguns dos participantes  aproveitaram o momento de troca de experiência e  conhecimentos para esclarecerem suas dúvidas com relação ao processo de envelhecimento. Ninguém demonstrou o desejo de envelhecer, mas  todas as pessoas disseram querer envelhecer  com saúde. Era notória a insegurança dos presentes com relação à velhice, mesmo sabendo ser um processo natural  e que  o envelhecimento tem início quando nascemos.

Aproveitamos esse momento para provocar alguns alertas para as famílias dos nossos usuários sobre a importância do autocuidado do principal cuidador da pessoa com deficiência.  No dia a dia da APAE-BH, presenciamos alguns casos de familiares cuidadores chegarem a deixar de se alimentar por pensarem que apenas a pessoa com deficiência precisa de cuidados.  Este tipo de comportamento e a falta de ingestão de nutrientes essenciais podem parecer não ter importância hoje, mas certamente desencadearão problemas no futuro. Não podemos esquecer que é preciso cuidar de quem cuida e, para que eu cuide de alguém, é preciso que eu esteja bem.

Sabemos que o respeito e os avanços com relação ao envelhecimento caminham a passos lentos,  mas as mudanças culturais têm início em  pequenos gestos que  vão, aos poucos, refletir no outro e em toda a sociedade. Ao concluirmos o ciclo de debates, a palestrante Andreia deixou um breve relato, com grande relevância: “dialogar sobre o envelhecimento com as famílias e os profissionais é de extrema importância em um momento de transição da pirâmide etária, quando buscamos promover uma mudança cultural da longevidade. Discutir sobre diversidade etária é ampliar os horizontes das pessoas que se dedicam com tanto empenho a superar as barreiras do preconceito. Só tenho gratidão a estes dias em que compartilhei, mas aprendi muito mais.”

Michelle Talita Moreira
Assistente Social da APAE-BH

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